Um mito, um homem, um amigo
Ernesto Guevara Lynch de La Serna nasceu em rosário na Argentina no dia 14 de maio-junho de 1928. O primogênito da família Guevara, teve um nascimento difícil, prematuro, desde jovem apresentou uma força inexplicável, lutou contra a asma com todas as forças, lutou pela sua vida de maneira heróica, desde criança apresentou um amor extraordinário pela leitura e por esportes de competição. Logo aos 12 e 13 anos já tinha devorado obras de Karl Marx, Angels e Lênin, no entanto aos 15 anos já havia lido Júlio Verne, Alexandre Dumas, Baudelaire, Neruda e Freud.
Jovem dedicado, Ernesito ou Tetê, como era chamado pela família, aos 16 anos de idade, quando sua família se encontrava passando por problemas financeiros, começou a trabalhar como funcionário da Câmara de uma vila nos arredores de Córdoba para ajudar as finanças em casa, sem deixar, contudo, de estudar.
Em 1946 os Guevaras mudam-se para Buenos Aires, onde Ernesto ingressa na universidade de medicina;“quando decidir ser médico (…), a maior parte dos meus princípios que tenho hoje como revolucionário ainda não compunham meus ideais. Queria vencer na vida, como todo mundo, sonhava ser um pesquisador célebre… naquele momento isso era apenas um projeto pessoal”, mas a universidade que de fato apreciava era a rua; porém os negócios da família não melhoram, e estes se vêem obrigados a venderem a plantação de mate que com muito trabalho conseguiram desenvolver.
A situação econômica da família teimava em não melhorar, com isso, Ernesto volta a trabalha como funcionário municipal e mais tarde em uma tipografia, porém sem abdicar em nenhum momento dos estudos. Nesse período houve um tempo em que Ernesito trabalhou como voluntário num instituto de pesquisas que na ocasião era mantido pelo partido comunista. Nesse mesmo ano foi convocado para o serviço militar, que logo o dispensou devido à frágil suade ainda fragilizada pela asma. Com o final as segunda uerra mundial, com a vitória dos aliados, a oposição a Perón aumenta por toda a Argentina e os jovens inflamam os movimentos, dentre eles os irmãos Granados, em especial Alberto por quem Ernesto tinha grande admiração, porém este mesmo participa ativamente de vários das atividades, “Sair à rua para ser mobilizado… logo eu, por quem ninguém dava uma figa e quem nem podia andar!”. Da criança frágil, de saúde debilitada, a um jovem robusto cheio de vida. Nesse período Ernesto embarca em uma bicicleta com motor criada por ele mesmo e inicia uma viagem por várias províncias argentinas Tucumán, Mendoza, Salta, Jujuy e La Rioja, viagem que fora obrigado a terminar a pé.
No dia 29 de dezembro de 1951 inicia uma viagem com o amigo aberto Granado, viagem que mudaria por completo todo o seu destino. “Na estação de General Belgrano, a que acompanhava para uma nova partida, Célia viu o trem distanciando-se”. Da janela o seu herdeiro dos sonhos igualitário se despediu, e o filho gritou: “Aqui vai um soldado da América’”.
Ernesto atravessou a argentina, Bolívia, Peru, equador, passou uma temporada na Guatemala, onde conheceu Hilda Gadéa, com quem, mais tarde, se casou. Na Cidade da Guatemala, apoiou o governo, de esquerda, de Jacobo-Orbenz-Gusman e quando este fora deposto, por intervenção armada dos EUA, Che mudara-se para o México, agora convicto dos seus ideais revolucionários, para se encontrar com rebeldes cubanos exilados, e em 26 de julho de 1955 encontra-se pela primeira vez com Fidel Castro Ruiz.
O encontro que selou a vida dos dois revolucionários ocorreu na casa de Maria Antonia Sanches Gonzalez, uma amiga muito próxima dos rebeldes. “Os dois homens se observaram, julgaram um ao outro”. “É um acontecimento político ter conhecido Fidel Castro, o revolucionário cubano. Ele é jovem, inteligente, seguro de si e tem uma audácia extraordinária. Penso que simpatizamos um com o outro”, comenta Ernesto em seu diário. Fidel reconhece “O Che tinha uma formação revolucionária mais sólida que a minha, ideologicamente falando. Do ponto de vista teórico, estava mais bem preparado, era um revolucionário mais adiantado que eu.”
O “Che” foi um apelido que Ernesto recebera no México, pois como bom argentino, sempre pontuava as frases com a interjeição.
Logo decidiu seguir Fidel na sua luta pela libertação de cuba.
Contudo, Che fez apenas uma reserva no seu julgamento: “Retomar minha liberdade de revolucionário depois do triunfo da Revolução. Se o triunfo acontecer.” O pacto foi selado.
Che foi recrutado pelos rebeldes, a partir de 1956, fez um curso de guerrilheiro. No final de agosto pediu licença à esposa e à filhinha que ela lhe dera.
“Eu analisara os caminhos da América. Estive entre os maias, na Guatemala, para descobrir uma revolução. Lá, eu me encontrei com um camarada que se tornou meu guia. Em conjunto vivenciamos a idéia de defender aquele pequeno país contra os ianques. Agora, para mim, chegou a hora de combater, dessa vez em outro país (…), para derrotar a exploração e a miséria. Com a vontade de construir um mundo melhor, no qual você viverá”, explicou ele a filha.